EMAGRECIMENTO SAUDÁVEL

Tratamento da Obesidade e sobrepeso

A mudança do estilo de vida, que compreende reeducação alimentar e atividade física, é a base do tratamento clínico da obesidade. Sem ela, dificilmente se atingirá uma perda de peso necessária para melhorar a saúde e, muito menos, essa perda será duradoura.

A obesidade é considerada uma pandemia, devido ao aumento importante de sua prevalência ao longo dos últimos anos. Entre 1980 e 2013, a proporção de sobrepeso ou obesidade entre adultos aumentou de 28,8% para 36,9% entre homens e de 29,8% para 38,0% entre mulheres, sendo que a média do IMC mundial aumentou 0,4 kg/m2 por década em homens e 0,5 kg/m2 por década em mulheres.

Em 2010, estima-se que o sobrepeso e a obesidade foram causa de 3,4 milhões de mortes, 3,9% de anos de vida perdidos e 3,9% de incapacidade ajustada pelos anos de vida (QALYs, sigla em inglês) globalmente.

Sintomas e efeitos da obesidade e sobrepeso

O excesso de gordura corporal não provoca sinais e sintomas diretos, salvo quando atinge valores extremos.

Pacientes obesos apresentam limitações de movimento, tendem a ser contaminados com fungos e outras infecções de pele em suas dobras de gordura, com diversas complicações, podendo ser algumas vezes graves. Além disso, sobrecarregam a coluna e membros inferiores, apresentando, em longo prazo, degenerações (artroses) de articulações da coluna, quadril, joelhos e tornozelos, além de doença varicosa superficial e profunda (varizes) com úlceras de repetição e erisipela.

A obesidade é fator de risco para uma série de doenças ou distúrbios que podem ser:

  • Hipertensão arterial
  • Aumento dos triglicérides
  • Doenças cardiovasculares
  • Aumento do colesterol
  • Doenças cérebro-vasculares
  • Diminuição de HDL (“colesterol bom”)
  • Diabetes Mellitus tipo 2 – Aumento da insulina
  • Câncer Intolerância à glicose
  • Osteoartrite Distúrbios menstruais/infertilidade
  • Pedras na vesícula
  • Apneia do sono

Prevenção da Obesidade

A prevenção da obesidade deve ser iniciada desde a infância, adotando hábitos saudáveis pela família e incentivando a prática de atividade física, pois a construção de tais hábitos ocorre nesta fase.

O aumento de estímulos externos ocasionados pela televisão, internet, incentivaram o consumo de alimentos industrializados ricos em carboidratos e gorduras trans, o que pode explicar, em parte, o aumento da incidência de obesidade na população.

Tratamento da Obesidade

Reeducação Alimentar: Independente do tratamento proposto, a reeducação alimentar é fundamental, uma vez que, através dela, reduziremos a ingestão calórica total e o ganho calórico decorrente. Esse procedimento pode necessitar de suporte emocional ou social, através de tratamentos específicos (psicoterapia individual, em grupo ou familiar). Nessa situação, são amplamente conhecidos grupos de reforço emocional que auxiliam as pessoas na perda de peso.

Exercício: É importante considerar que atividade física é qualquer movimento corporal produzido por músculos esqueléticos que resulta em gasto energético e que exercício é uma atividade física planejada e estruturada com o propósito de melhorar ou manter o condicionamento físico.

Tratamento Medicamentoso: Existem poucas opções medicamentosas liberadas para ajudar no tratamento no Brasil. A indicação de se associar medicamentos ocorre quando há dificuldade de perda de peso somente com a mudança do estilo de vida ou quando existe necessidade de ajudar a tratar certos comportamentos alimentares, associados principalmente a alterações emocionais.

A indicação da melhor medicação para ser utilizada no tratamento da obesidade quando necessária vai depender do perfil e da dificuldade de aderir à dieta adequada de cada paciente.

Quando o emagrecimento deve ser acompanhado por um médico?

O emagrecimento deve ser acompanhado por um médico quando o excesso de peso já impacta energia, autoestima, disposição, sono, exames, libido, produtividade ou qualidade de vida. Isso é especialmente importante para homens acima dos 35 anos, que muitas vezes percebem aumento de gordura abdominal, queda de massa muscular, piora do condicionamento físico e dificuldade crescente para emagrecer apenas com dieta e exercício.
O acompanhamento médico permite investigar metabolismo, hormônios, composição corporal, exames laboratoriais, rotina, sono, comportamento alimentar e possíveis fatores que estejam dificultando a perda de gordura.

Qual é a diferença entre fazer dieta e fazer um tratamento médico para emagrecimento?

Fazer dieta é apenas uma parte do processo. Um tratamento médico para emagrecimento avalia o paciente de forma mais ampla: saúde metabólica, massa muscular, percentual de gordura, exames, histórico de peso, medicamentos, fome, compulsão, sono, ansiedade, rotina profissional e capacidade real de manter o plano.
O objetivo não é apenas perder peso na balança, mas reduzir gordura, preservar ou ganhar massa muscular, melhorar disposição, saúde e qualidade de vida.

Medicamentos para emagrecer são indicados para todos os pacientes?

Não. Medicamentos podem ser úteis em alguns casos, mas precisam de indicação médica individualizada. Eles podem fazer parte de um plano terapêutico quando existe obesidade, sobrepeso com risco metabólico, compulsão alimentar, fome excessiva ou falhas repetidas em tentativas anteriores.
Mesmo quando há indicação, a medicação não deve ser vista como solução isolada. O melhor resultado costuma acontecer quando o tratamento inclui ajuste alimentar, treino, sono, acompanhamento constante e mudança de estilo de vida.

Por que muitos homens e mulheres engordam depois dos 35 ou 40 anos?

Depois dos 35 anos, muitos homens e mulheres reduzem o nível de atividade física, dormem pior, acumulam mais estresse, perdem massa muscular e passam a ter mais dificuldade em manter composição corporal. Em alguns casos, também podem existir alterações hormonais da testosterona, resistência à insulina, piora do metabolismo e aumento da gordura abdominal. No caso feminino, a proximidade com a menopausa e as flutuações hormonais dessa fase pode contribuir para o acumulo de gordura dessa população.
Por isso, o ganho de peso nessa fase não deve ser tratado apenas como falta de disciplina. Muitas vezes, ele é sinal de que o corpo e a rotina precisam ser reorganizados.

O tratamento médico para emagrecimento ajuda a evitar o efeito sanfona?

Sim, quando o foco não é apenas emagrecer rápido, mas construir manutenção. O efeito sanfona costuma acontecer quando o paciente perde peso com estratégias muito restritivas, sem preservar massa muscular, sem corrigir hábitos e sem acompanhamento após a fase inicial.
Um plano bem conduzido busca perda de gordura, melhora da composição corporal, construção de rotina, fortalecimento muscular, controle da fome e acompanhamento progressivo para que o paciente consiga sustentar o resultado.

Como saber qual é o melhor plano de emagrecimento para mim?

O melhor plano depende do seu histórico, exames, percentual de gordura, massa muscular, rotina, nível de atividade física, sono, apetite, compulsão, doenças associadas e objetivos. Por isso, a avaliação médica é essencial.
Homens que desejam emagrecer, recuperar energia e mudar o corpo com segurança precisam de uma estratégia individualizada — e não de um protocolo genérico.

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