Proteína em excesso faz mal? Veja o que os estudos realmente mostram

Proteína em excesso faz mal? Veja o que os estudos realmente mostram

Recentemente, algumas publicações levantaram preocupações sobre os possíveis riscos do consumo excessivo de proteínas. No entanto, ao analisar os estudos utilizados como base para essas alegações, percebe-se que muitas das conclusões não apontam a proteína como principal responsável pelos problemas de saúde observados.

Proteína ou qualidade dos alimentos?

Grande parte dos riscos associados à saúde cardiovascular e ao diabetes encontrados em algumas pesquisas está relacionada ao consumo frequente de carnes vermelhas e processadas, alimentos geralmente ricos em gordura saturada e sódio. Nesses casos, os efeitos negativos observados estão mais ligados à qualidade da fonte alimentar do que à proteína em si.

O mesmo ocorre em estudos sobre câncer. Os aumentos de risco identificados costumam estar associados ao consumo elevado de carnes processadas e carnes vermelhas, e não ao consumo total de proteínas provenientes de fontes variadas como ovos, peixes, laticínios, leguminosas e carnes magras.

Proteína e saúde digestiva

Outro ponto frequentemente citado é o impacto no sistema digestivo. Entretanto, o problema geralmente não está na proteína, mas sim na redução do consumo de fibras. Pessoas que aumentam significativamente a ingestão proteica sem manter uma boa quantidade de vegetais, frutas e grãos integrais podem apresentar desconfortos digestivos devido à falta de fibras na alimentação.

Proteína causa ganho de gordura?

O ganho de gordura corporal ocorre quando há consumo excessivo de calorias, independentemente da origem dessas calorias. Inclusive, a proteína possui um dos maiores efeitos térmicos dos alimentos, exigindo mais energia para ser metabolizada quando comparada aos carboidratos e gorduras.

Por isso, dietas com maior teor de proteína costumam ser utilizadas em estratégias de emagrecimento e manutenção da massa muscular.

E os rins?

Uma preocupação comum é o impacto da proteína na função renal. As evidências atuais indicam que, para indivíduos com rins saudáveis, uma ingestão elevada de proteína não parece representar riscos significativos.

A recomendação de moderação costuma ser direcionada principalmente a pessoas que já possuem algum grau de doença renal, situação em que o acompanhamento médico e nutricional é fundamental.

Qual é a quantidade ideal de proteína?

As pesquisas mostram que existe uma ampla faixa de consumo associada a benefícios para a saúde e composição corporal.

De forma geral:

  • 1,2 g de proteína por kg de peso corporal já pode atender muitas pessoas sedentárias ou moderadamente ativas.
  • 1,6 g/kg parece ser o ponto ideal para a maioria das pessoas que buscam saúde, manutenção ou ganho de massa muscular.
  • Valores de até 2,2 g/kg também são frequentemente utilizados por praticantes de atividade física e atletas sem demonstração de prejuízos para indivíduos saudáveis.

O que realmente importa

Em vez de focar apenas na quantidade de proteína consumida, o mais importante é observar a qualidade da dieta como um todo:

  • Priorize fontes de proteína de qualidade, como peixes, ovos, laticínios, feijões, lentilhas e carnes magras.
  • Mantenha uma boa ingestão de vegetais, frutas e fibras.
  • Limite o consumo frequente de carnes processadas e alimentos ultraprocessados.
  • Considere suplementos proteicos apenas quando houver dificuldade em atingir as necessidades diárias por meio da alimentação.

Conclusão

As evidências atuais não indicam que a proteína seja prejudicial para pessoas saudáveis quando consumida dentro de faixas adequadas. Muitos dos riscos frequentemente atribuídos à proteína estão, na verdade, relacionados ao consumo excessivo de carnes processadas, gordura saturada, ultraprocessados e à falta de fibras na alimentação.

Mais importante do que temer a proteína é construir uma dieta equilibrada, variada e baseada em alimentos de qualidade.

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